Andrea Trindade
O aposentando Estevão de Souza Barreto, 72 anos, foi encontrado morto na
tarde desta sexta-feira (8), na cela 24, pavilhão 9, do Conjunto Penal
de Feira de Santana. A delegada Dorean dos Reis Soares presidiu o
levantamento cadavérico no local e investiga se houve um suicídio.
O diretor adjunto do Conjunto Penal, Clériston Leite, informou que os
agentes penitenciários acionaram a direção, que constatou o fato.
“Segundo relatos de alguns presos, ele estava sozinho na cela, enquanto
os detentos estavam no banho de sol”, disse. O diretor informou ainda
que não havia queixas dos presos contra o aposentado.

De acordo com a delegada, não foi encontrada nenhuma carta deixada por
ele, e de acordo com um companheiro de cela, Estevão já vinha falando da
vontade de tirar a própria vida. “Só depois do laudo da necropsia
podemos confirmar 100% se foi um suicídio”, disse a delegada informando
que a polícia vai ouvir os detentos e de acordo com os relatos traçar um
perfil do aposentado.
Relembre o caso
Estevão de Souza Barreto, que residia no bairro Campo do Gado, foi
flagrado na manhã do dia 21 de agosto, usando uma pistola calibre 6.35 e
um martelo. Ele tentou matar duas meninas, uma de 11 e outra de 12
anos. O pai de uma das vítimas foi quem acionou a polícia.
Após as tentativas de homicídio, Estevão entrou no veículo Gol, de placa
JOW-3137 e tentou se matar. Dentro do carro havia um botijão de gás e
material explosivo, além da arma e do martelo.
No complexo policial, antes de ser interrogado, Estevão confirmou que
pretendia matar a primeira criança a tiros, mas errou e usou um martelo
para assassiná-la. Ele demonstrava desequilíbrio psicológico e afirmou
que tomou essa iniciativa porque a menina estava sendo abusada
sexualmente por um vizinho e se queixou a ele que não suportava a dor.
Estevão disse que a menina pediu que ele a matasse.
O suspeito ainda contou que costumava olhar as partes íntimas da criança
e disse que se considera um pedófilo. Quanto à segunda criança que
Estevão tentou matar, ele disse não lembrar de ter atirado nela.
Estevão contou que ao entrar no carro com o material explosivo tinha a
intenção de se matar. “Atrás do banco tinha uma garrafa de dois litros
de gasolina. Eu ia jogar no meu corpo e tocar fogo, eu ia me incendiar e
virar fumaça”, disse.
O ajudante de pedreiro Felipe Teles Menezes, pai da menina atingida por
marteladas na cabeça, foi quem acionou a polícia. Ele contou que a filha
passava na rua e o criminoso a chamou para dentro de casa. Momentos
depois, um filho dele o chamou dizendo que Estevão estava tentando matar
a criança. As meninas foram levadas para o Hospital Estadual da
Criança (HEC). A que foi agredida com marteladas teve afundamento no
crânio.
Com informações do repórter Aldo Matos do programa Acorda Cidade.
Fotos: Arquivo - Ney Silva/Acorda Cidade
Fotos: Arquivo - Ney Silva/Acorda Cidade
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